sábado, 14 de abril de 2012

Crocodilos albinos chegam a zoológico francês

Eles vieram dos Estados Unidos e passarão por adaptação.
Os animais viverão em ambiente com outros 200 crocodilos.


Crocodilos albinos (Foto: Charly Triballeau/AFP) 

Peixe-boi de água salgada consegue captar ruído ultrassônico, diz estudo

Habilidade compensaria visão turva, devido a habitat marinho.
Animal é considerado vulnerável na natureza, segundo organização.

Barulho de motores de lanchas e de motos aquáticas pode prejudicar a audição do peixe-boi-marinho (Trichechus manatus), de acordo com estudo realizado pelo Laboratório e aquário marinho Mote, dos Estados Unidos.
O resultado de análises feitas durante 14 anos, publicado nesta semana no “The Journal of Experimenta Biology”, mostra que por viverem na profundidade em algumas regiões da costa dos EUA, onde normalmente tem pouca luminosidade, os mamíferos aquáticos "reforçaram" sua audição e conseguem captar frequências ultrassônicas.
Isto o ajudaria, por exemplo, a distinguir ruídos como o de uma lancha se aproximando -- um potencial caçador. Entretanto, segundo os pesquisadores, a detecção de barulho pode não ocorrer de forma completa quando os animais estão dormindo.
Apesar da audição "eficiente", que, teoricamente, ajudaria essa espécie a sobreviver e escapar de ameaças, os cientistas querem descobrir o motivo do peixe-boi-marinho corre risco de desaparecer. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o peixe-boi de água salgada é considerado vulnerável na natureza.

Exemplar de peixe-boi-marinho que vive na água salgada, na costa dos Estados Unidos (Foto: Divulgação)Exemplar de peixe-boi-marinho que vive em água salgada, na costa dos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Clarear superfícies das cidades pode reduzir aquecimento global, diz estudo

Telhados e ruas mais claros refletiriam raios do Sol e reduziriam temperatura.
Menor uso do ar condicionado também diminuiria emissões de CO2.

Mudar a cor dos telhados e da pavimentação das ruas de todo o mundo pode reduzir o aquecimento global e, por consequência, também nível de poluição. A conclusão é de um estudo canadense publicado nesta sexta-feira (13) pela revista científica “Environmental Research Letters”, que simulou o efeito que a medida teria em longo prazo.

A ideia dos cientistas é deixar a superfície das cidades mais claras para aumentar o reflexo dos raios solares. Quanto mais escuro é um objeto, mais ele absorve o calor. Cidades mais claras seriam, portanto, também mais frescas para seus habitantes.
Se os prédios passarem a ter temperaturas mais amenas, a tendência é que o uso do ar condicionado diminua. Com isso, cairia o consumo de energia elétrica. Como a maior parte da eletricidade do mundo é produzida por usinas termoelétricas a carvão e a gás, as emissões de CO2 também diminuiriam.
Os autores acreditam que é possível reduzir as emissões de CO2 em até 150 bilhões de toneladas. O número corresponde à poluição produzida por todos os carros do mundo ao longo de 50 anos.
Naturalmente, seria muito complicado mudar todos os telhados e a cobertura de todas as ruas do mundo de uma vez só. No entanto, os pesquisadores ressaltaram que os telhados são trocados a cada 20 ou 30 anos, e que as ruas precisam ser repavimentadas, em média, a cada dez anos. Seria possível, assim, aproveitar as trocas para aplicar superfícies mais claras, que trariam o resultado desejado.

FONTE:
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/04/clarear-superficies-das-cidades-pode-reduzir-aquecimento-global-diz-estudo.html

Projeto na Espanha tenta salvar lince mais raro do mundo

Animal criado em cativeiro foi libertado e será monitorado para que dê continuidade à espécie.

 

O lince-ibérico já teve uma população numerosa pela Espanha e por Portugal. Mas, em 2005, esse número caiu para apenas 150, fazendo dele o mais ameaçado entre os 36 tipos de gatos selvagens do mundo.
Um dos fatores a deixá-lo perto da extinção foi a perda de sua principal fonte de alimentos: coelhos, que foram dizimados por doenças. A destruição de seu habitat também contribuiu para o declínio dos linces.
"O lince ibérico é uma espécie-chave no ecossistema do Mediterrâneo", disse Miguel Simon, diretor de um projeto de defesa dos linces. "É um predator importante, e, se preservarmos esta espécie, preservaremos todo o ecossistema."
Lince na Espanha (Foto: Reprodução/BBC)Exemplar de lince-ibérico que foi libertado na Espanha. (Foto: Reprodução/BBC)
Cativeiro
A gravidade da situação identificada há alguns anos fez com que conservacionistas espanhóis decidissem remover alguns dos linces da natureza selvagem para criá-los em cativeiro, onde pudessem se reproduzir.
A iniciativa fez com que cerca de cem novos animais nascessem sob os cuidados de veterinários. Ao mesmo tempo, graças a medidas para a restauração do habitat natural, a população selvagem também cresceu, para cerca de 300 linces ibéricos.
Diante do sucesso, os conservacionistas se prepararam para o passo seguinte: libertar os linces cativos na natureza, algo que foi realizado neste mês, com três linces.
Inicialmente hesitantes, eles deram seus primeiros passos rumo à liberdade. Os animais receberam coleiras, que permitirão que cada movimento seu seja monitorado.
"Estou um pouco preocupado, porque não sabemos o que vai acontecer (com o animal na natureza selvagem). Mas temos que tentar", declarou Guillermo Lopez, veterinário que cuidou dos linces. "Há alguns anos, tudo parecia tão difícil, mas agora estamos chegando perto da bem-sucedida conservação da espécie." No total, cerca de 15 linces cativos devem ser libertados neste ano.

FONTE:
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/04/projeto-na-espanha-tenta-salvar-lince-mais-raro-do-mundo.html

O mistério das bananas com ou sem sementes: Partenocarpia vegetativa



Muitas pessoas ainda continuam se perguntando como determinados frutos não contem sementes, e ao descascar e degustar a banana comum acabam notando pequenos pontos escuros no qual o chamam de sementes, onde na verdade não são. Pois, diante dessas questões conflitantes, descreverei de forma clara e objetiva os mistérios que norteiam esses problemas de identificação voltados para a semente da bananeira, que de certa forma geram grandes questionamentos, tipo:
Será que as bananas não contêm sementes?
Como se dá a formação dessas bananas sem fecundação?
A maioria das bananeiras cultivadas se reproduz de forma assexuada, por propagação vegetativa, a partir de seu rizoma, que é um tipo de caule subterrâneo, de crescimento horizontal, e que geralmente desenvolve folhas. O conjunto de várias dessas folhas forma o que popularmente, à primeira vista, chamamos de caule da bananeira.
Cada “caule” é capaz de formar ramos de flores que, sem que haja fecundação de seus ovários, formam bananas, reunidas em um cacho. Assim, esse fruto é classificado como partenocárpico; e aqueles pontinhos pretos que encontramos em seu interior são óvulos não fecundados, e não sementes, como algumas pessoas acreditam.
A vantagem de essas plantas se desenvolverem assim, além da ausência de sementes nas bananas, consiste no fato de que as mesmas crescem e dão frutos mais rapidamente. A desvantagem é que, por serem idênticas à planta-mãe, se a mesma possuir alguma anomalia, elas também a terão.
As bananas compradas no supermercado, que consumimos normalmente, não possuem sementes. Aqueles pontinhos pretos são apenas óvulos não-fecundados da flor da bananeira. A banana é um fruto partenocárpico, tal como o abacaxi, os frutos se formam sem fecundação. É por isso que não possui sementes.
As bananas com sementes só ocorrem nas espécies selvagens, que no Brasil podem aparecer em regiões litorâneas de Mata Atlântica. A espécie Musa balbisiana, vendida no mercado indonésio contém, excepcionalmente, sementes, e é considerada uma das espécies ancestrais das atuais variedades híbridas geralmente consumidas.
As bananas tradicionais, entretanto, reproduzem-se pela chamada propagação vegetativa, onde os brotos das novas plantas surgem a partir da planta-mãe. No caso das bananas, eles aparecem do chamado rizoma (um caule subterrâneo), estrutura na base da bananeira de onde saem as raízes. A grande vantagem é que a muda atinge a fase adulta em muito menos tempo que as frutas que começam a crescer a partir de uma semente. Mas a maior desvantagem é que todas as bananeiras serão idênticas à planta-mãe. Se a planta que deu origem aos brotos tiver doenças, as descendentes também terão.

Font Quer (1953) afirma como sendo um fenômeno onde há a formação dos frutos sem a prévia fecundação dos gametas femininos pelos masculinos; os rudimentos seminais, portanto, não transformam sementes ou quando ocorre as sementes são vazias ou estéreis. A partenocarpia pode ser autônoma ou vegetativa, ocorrendo sem qualquer estímulo ou estimulada, quando se exige certa excitação do estigma pelo pólen (que não consegue fertilizar os rudimentos seminais) ou infecções fúngicas, parasitas ou através de outros estímulos.

            Diversos fatores podem influenciar na formação de frutos partenogenéticos, como: condições de temperatura, polinização por uma espécie geneticamente distante, propensão à poliembrionia, etc. Experimentalmente, a partenogênese tem sido conseguida de várias formas, porém, segundo Chiarugi (1936), o melhor método para a indução da partenogênese haplóide é a polinização por uma espécie geneticamente distante, capaz de induzir partenocarpia, mas não fertilização. 

     Segundo Vidal & Vidal (2007), partenocarpia compreende ao desenvolvimento do fruto sem que haja fecundação, onde os frutos das gimnospermas não são classificados como verdadeiros frutos, e daí não estarem incluídos aqui. Se os considerássemos como tais, seriam classificados como infrutescências: gálbula (ciprestes) e estróbilos (pinheiros). 

    Mendes (1946) define a partenogênese como sendo o processo pelo qual um embrião se desenvolve de uma oosfera haplóide ou diplóide sem qualquer fusão de núcleos ou de células, tem sido constatada nas mais diversas plantas que, normalmente, se reproduzem por via sexuada e onde, portanto, a meiose e a fertilização são ocorrências normais.
Agora que você já conhece algumas particularidades dessa planta, vamos para mais uma curiosidade: você sabe o porquê desse fruto amadurecer tão rapidamente?
A resposta é a seguinte: a banana libera um hormônio vegetal chamado etileno. Esse gás é responsável por acelerar a maturação do fruto. Assim, se deixamos muitas bananas reunidas, ou colocarmos esse fruto, ainda verde, em recipiente fechado; os mesmos amadurecerão rapidamente, em virtude da ação do etileno. Quanto a isso, uma curiosidade é que a banana-prata é a que fica madura com mais facilidade, justamente pela alta liberação desse hormônio vegetal, após a sua colheita.
A banana é rica em carboidratos, sais minerais e vitaminas; e possui poucos lipídios. Sua composição faz com que seja um alimento muito saudável, capaz de:
- Prevenir a depressão, já que possui triptofano, capaz de estimular a produção de serotonina;
- Regular a glicose sanguínea, graças à vitamina B6;
- Prevenir a anemia, porque contém ferro;
- Reduzir os riscos de derrame, e a pressão alta, por conter potássio;
- Regular o intestino, graças às suas fibras e lipídios.
- Aliviar azias e enjôo, agindo como antiácido natural.
Além disso, para muitos adeptos da medicina alternativa, sua casca pode ser aplicada diretamente na pele, para acelerar a cicatrização de machucados, picadas de mosquitos, e para a eliminação de verrugas. Essa parte da banana também pode ser utilizada na culinária, para a fabricação de doces, bolos, pães e alimentos salgados.


REFERÊNCIAS:
CHIARUGI, A. La partenogenesi nelle piante superiori e la sua importanza per le indagini sulla loro constituzione genética. Boll. Soc. Ital. Biol. Sper., 9: 1182-1207. 1934. Cit. Em The Experimental Production of Haploids and Polyploids. Imperial Bureau of Plant Genetics. 28 pgs. 1936. 
FONT QUER, P. Diccionario de Botánica. Barcelona: Ed. Labor, 1953. 1244p. il. 
MENDES, A. J. T. Partenogênese, partenocarpia e casos anormais de fertilização em Coffea. Bragantia [online]. 1946, vol.6, n.6, pp. 265-272. ISSN 0006-8705. 
VIDAL, W. N.; VIDAL, M. R. R. Botânica – organografia: quadros sinóticos ilustrados de fanerógamos – 4ª Ed. Viçosa: Editora UFV, 2007.124p. il.





quinta-feira, 12 de abril de 2012

Baleias à vista no litoral do Brasil


Jubartes ficam até novembro na Bahia para para se reproduzir e seguem para a Antártida

FOTOS: Enrico Marcovaldi/Projeto Baleia Jubarte

Galileu/Galileu  
Espetáculo: O peso de 40 toneladas não inibe os saltos característicos da espécie
É tempo de ver baleias no litoral sul da Bahia. Desde julho elas habitam e encantam a região do Arquipélago de Abrolhos, depois de terem percorrido 7 mil quilômetros a partir da Antártida em busca das águas quentes e calmas para reprodução e nascimento dos seus filhotes.



Até novembro elas cumprem um curioso ritual de acasalamento. Os machos participam de uma espécie de competição para ver quem será o escolhido de cada fêmea. Eles batem as caudas e nadadeiras e depois fazem a corte entoando o seu misterioso canto, como se fosse uma serenata. No ato sexual, as jubartes copulam com apenas um macho, em quanto as baleias-franca, por exemplo, cruzam com vários machos.

Galileu/Galileu  
Filhote de 2 toneladas: Após gestação de 11 meses as jubartes voltam a Abrolhos para dar à luz
As jubartes que engravidaram na temporada anterior também voltam à região para dar à luz sem a presença de predadores naturais por perto, como tubarões. A gestação das baleias dura 11 meses. Logo após o período de reprodução, os animais reiniciam a longa travessia pelo Atlântico até a Antártida. Somente lá as baleias se alimentam. Durante os seis meses que dura a viagem e a permanência no Brasil, elas não comem, sobrevivendo com uma reserva de gordura. De volta à Antártida, elas passam boa parte do tempo devorando toneladas de krill, uma espécie de camarão.

Galileu/Galileu  
Ao expor a nadadeira caudal, a baleia pode estar amamentando, cantando, descansando ou esfriando o corpo

Nesta temporada o Projeto Baleia Jubarte, que estuda e protege os animais na região de Abrolhos, já avistou mais de 200 baleias, mas acredita-se que até 2 mil animais percorram o litoral brasileiro nesse período. O projeto já identificou neste ano 50 espécimes por meio de fotografias da nadadeira caudal, que serve como uma impressão digital das jubartes. Por conta da pigmentação e das marcas naturais, nenhuma cauda é igual a outra. Tudo indica que hoje a população de jubartes cresça cerca de 7% ao ano, mas o animal ainda está à beira da extinção, de acordo com o Ibama. Até o final da década de 60 a pesca da baleia era permitida. Na ocasião, quando houve a proibição, restavam somente 15 mil espécimes em todo o mundo. Atualmente são cerca de 25 mil. (G.G.)

 http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT399389-1948,00.html


Cogumelos alucinógenos alteram a personalidade para sempre

Pesquisadora descobriu que uma dose pode deixar a pessoa mais 'aberta'

por Guilherme Rosa

 Shutterstock

A Universidade Johns Hopkins é principal centro de pesquisas com psilocibina nos Estados Unidos. A substância é um composto psicodélico encontrado em centenas de espécies de cogumelos alucinógenos, cujo consumo altera a percepção, causa alucinações visuais, traz euforia e pode dar início a experiências místicas. Aliás, esses cogumelos eram usados desde tempos ancestrais em rituais xamânicos. Além desses efeitos, a droga também pode causar as famosas “bad trips”, quando seu consumo causa ataques de pânico nos usuários. Nem todo cogumelo contém a substância – alguns são inclusive mortais se consumidos por seres humanos.

As pesquisas conduzidas na Universidade Johns Hopkins começam a abrir caminhos para a compreensão de todos esses efeitos. Desde 2006, estudos conduzidos no local tentam entender como a droga propicia as experiências místicas. No ano passado, a pesquisadora Katherine MacLean realizou uma revisão dos estudos anteriores e descobriu que a psilocibina altera a personalidade de seus usuários para sempre – ela os deixa mais abertos a novas experiências. A GALILEU conversou com a cientista sobre essas e outras pesquisas conduzidas na universidade. Veja a entrevista completa:

Como você se envolveu com esse estudo?

Eu cheguei na Universidade Johns Hopkins para estudar psicofarmacologia há 3 anos, quando eles já vinham fazendo esse tipo de experiência. Só dois estudos haviam sido publicados. O primeiro é de 2006, mas eles eram muito similares. Um deles comparava os efeitos de uma alta dose de psilocibina com uma dose de ritalina. O segundo comparava diferentes doses de psilocibina e placebos. Eu quis estudar a mudança de personalidade nos voluntários desses dois estudos, onde tivemos 64 voluntários.

E o que você percebeu?

Descobri que 30 dos indivíduos relataram ter tido uma experiência mística completa. As principais características dessa experiência são uma sensação de unidade e conexão, a ideia de que tudo é uma coisa só, que você está conectado a tudo no mundo, inclusive à sua ideia de deus. A sensação de unidade é o componente principal, onde as pessoas não sentem mais a separação entre elas e o resto do universo. Há o sentimento de sacralidade, uma experiência do divino, de fora desse mundo. Esses voluntários relataram sensações de felicidade, de paz

E essa experiência mudou suas vidas para sempre?

Nessa parte tivemos que confiar na palavra dos voluntários: 30% relataram que foi a experiência mais significativa de suas vidas. Quase todo mundo que tomou a alta dose disse que estava entre suas 10 experiências mais importantes. E nós também vimos que as mudanças de personalidade foram maiores em quem teve as experiências mais pessoais.

Segundo seu estudo, essa mudança de personalidade deixou as pessoas mais abertas. Como isso aconteceu?

Existem 5 domínios de personalidade [abertura, neuroticismo, extroversão, amabilidade e meticulosidade]. A abertura é uma categoria relacionada à criatividade, imaginação, aos interesses em artes, em musica, na expressão. Mais recentemente a abertura foi caracterizada como a motivação de buscar novas idéias e experiências. Não há como dizer se o aumento na abertura é necessariamente bom, mas nós temos visto isto que ele traz benefícios em domínios como criatividade e solução de problemas.

Esse tipo de mudança é comum?

Não, ela é rara em adultos. Os mais velhos tendem a ter uma abertura menor do que os mais jovens. A mesma pessoa tende a dizer que é menos aberta conforme envelhece. É possível como adulto ter uma mudança de personalidade, mas o mais comum é ver isso em casos clínicos, como em pessoas que são viciadas em drogas ou se recuperam de doenças.

Porque essa mudança aconteceu? Foi por causa de uma reação química no cérebro ou por conta da experiência vivida?

Eu sou muito interessada na parte bioquímica da equação. A psilocibina age diretamente na serotonina, possivelmente também no glutamato. Os dois podem estar relacionados à neuroplasticidade, o que pode significar que a estrutura e função do cérebro podem mudar em um adulto. Mas há pouca evidência para a gente falar que o cérebro muda permanentemente. De outro lado, o efeito pode ser psicológico. Ao ter uma experiência completamente diferente de qualquer coisa em sua rotina, isso pode abrir suas perspectivas para o que você pensa ser possível na vida comum. A mudança pode também ser relacionada às coisas que você vê durante a experiência, ou ao modo como você pensa, que é diferente do modo normal. Pode ser por causa das emoções diferentes, que você nunca sentiu – nós podemos levar pessoas que nunca riem ou choram a fazer essas coisas, a sentir essas emoções. Pode ser que, ao praticar um novo repertório de emoções e sentimentos, você mude sua personalidade.

Como vocês conseguem a droga para as experiências?

Você tem que conseguir uma nova aprovação toda vez que vai fazer um estudo. Quando o professor Roland Griffiths começou a fazer esses estudos, ele tinha que conseguir várias aprovações e preencher vários formulários, para várias agências do governo. Agora, como ele já fez essas pesquisas, ele só precisa fazer uma emenda se formos fazer novos estudos. A psilocibina é sintetizada por David Nichols, [professor de farmacologia na Univesidade de Purdue]. Ele tem uma licença governamental para produzir a substância.

Como administrar essa droga de modo seguro?

Nós desenvolvemos um jeito efetivo de aumentar as experiências positivas e reduzir experiências negativas na aplicação da droga. Muitos dos estudos com psilocibina foram feitos nos anos 50 e 60, e alguns cientistas davam as substâncias para as pessoas sem dizer do que se tratava. Mas logo ficou claro que isso não trazia bons resultados. Alguns pesquisadores viram que se você passasse mais tempo com as pessoas antes de sua experiência com a droga, se aprendesse mais sobre sua vida, se os pacientes dividissem com você seus medos, tudo seria mais tranquilo. Também temos que ter uma ou duas pessoas sóbrias presentes durante a seção.

Mas quais são os perigos?

Há um cientista na Inglaterra [David Nutt] que categorizou todas as drogas quanto à sua segurança e toxicidade, e a psilocibina e o LSD foram consideradas entre as mais seguras. Mesmo assim, se houver algum risco vindo da experiência, ele é psicológico. O maior efeito negativo de seu uso pode ser a ansiedade, medo e clássica paranóia característica da “bad trip”. Em nossos testes, nós vimos esse medo e ansiedade, mas lidamos com isso sem remédios ou sedação, só oferecendo nossa mão para segurar e ajudando os voluntários a saírem disso. Em alguns casos vimos mudanças de temperamento ou demora em lidar com questões existenciais. Alguns estudos mostram que os efeitos podem durar mais tempo em alguns voluntários. Esses casos são aparecem em pesquisas antigas, então não vimos nada desse tipo. Seria maravilhoso fazer testes clínicos maiores para ver qual a freqüência desses casos. Só houve algumas centenas de sessões nos anos recentes.
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É importante destacar que o modo como damos a psilocibina é muito diferente do uso recreativo. Nós a aplicamos num modo médico-terapêutico, controlamos todas as preocupações médicas e de segurança. É até possível que pessoas sozinhas tenham uma experiência boa com a psilocibina, mas nós desencorajamos as pessoas acharem que nossos resultados podem ser repetidos em casa.

Você pode falar sobre os outros estudos em execução?

Eu estou envolvida em um estudo com voluntários saudáveis, que não tenham experiências com psicodélicos ou meditação. Eles aprendem a meditar e tem 2 ou 3 sessões de psilocibina. Queremos estudar o desenvolvimento da meditação ao mesmo tempo em que se consome a droga. Também temos um estudo com pacientes com câncer, para analisar seu efeito em pessoas que têm ansiedade e depressão relacionados ao seu diagnóstico. O terceiro é um estudo piloto menor, para ver se a psilocibina ajudaria as pessoas a pararem de fumar.

Há um aumento nesse tipo de estudo?

Eu diria que há um aumento no interesse de pesquisadores jovens nesse tipo de estudo. O problema é o pouco numero de universidades e departamentos que queiram apoiar essas pesquisas, principalmente porque é uma área nova. Além disso, mesmo com as pequenas doações de pequenas instituições privadas, não há nenhum financiamento governamental desse tipo de estudo. 

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI299674-17770,00-COGUMELOS+ALUCINOGENOS+ALTERAM+A+PERSONALIDADE+PARA+SEMPRE.html